• saeqaufsc

Qual a importância das embalagens em alimentos e qual o papel dos engenheiros de alimentos nesse set

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), através da Resolução RDC nº 91, de 11 de maio de 2001, define-se embalagens para alimentos todo o recipiente que esteja em contato direto com os alimentos, destinado a contê-los, desde a sua fabricação até a sua entrega ao consumidor, com a finalidade de protegê-los de agente externos, de alterações e de contaminações, assim como de adulterações.



Fonte: https://br.freepik.com/


As embalagens possuem um papel fundamental para os alimentos, mas nem sempre foi assim: antigamente, as sociedades primitivas não tinham o hábito de estocar suas comidas e bebidas. Porém, com o passar do tempo, surgiu a necessidade de criar algo que auxiliasse no transporte e armazenamento dos alimentos.

Nos dias de hoje podemos observar que as embalagens conseguiram se adaptar ao modo de vida da sociedade. Antes, algo que poderia ser considerado simples agora possui uma gama de alternativas muito importantes. Dessa forma, estudos e o aperfeiçoamento de novas técnicas possibilitaram que diferentes materiais, formas e cores dominassem o mercado.

Além de conter, conservar e proteger o alimento, as embalagens também mantêm a qualidade e segurança, atuando como barreira a contaminações químicas, físicas e microbiológicas que possam colocar em risco a saúde do consumidor. Ao cumprir essas funções contribuem também para a diminuição do desperdício de alimentos. Além de que também dá identidade maior para a marca. Por exemplo, em certas indústrias de bebidas é possível detectar algumas marcas de refrigerante mesmo que elas estejam sem rótulo. A embalagem também precisa ser bem planejada e validada pelos órgãos de fiscalização do país de origem e de destino.


É possível utilizar o mesmo tipo de embalagem para todo produto?

A resposta é não! Mesmo que hoje seja possível encontrar uma grande variedade de embalagens disponíveis nas gôndolas dos supermercados, elas não estão lá por acaso.

O mercado das embalagens de alimentos é segmentado entre os 4 materiais a seguir:

  • Vidro;

  • Plástico;

  • Papel;

  • Metal.

Pelo fato da constituição dos materiais citados acima serem diferentes, as propriedades e características dos mesmos também não serão iguais. Além disso, alguns componentes das embalagens são capazes de interagir com o alimento.

Um exemplo disso é a Coca Cola: você já teve a impressão de que essa bebida nas garrafas de vidro são “mais saborosas” do que nas de lata de alumínio ou garrafa PET? Isso ocorre porque o vidro é um material impermeável, ou seja, caso haja um sistema de fechamento adequado, não permite a troca de gases e outras substâncias no alimento.

Outro ponto importante que faz com que haja uma embalagem específica para cada alimento são as composições dos produtos. Dependendo dos componentes presentes em sua formulação, o contato com algum fator externo faz com que desencadeie uma reação no mesmo. Dessa maneira, alterações que causam a deterioração e a contaminação do alimento são geradas.



Fonte: https://www.fb101.com/2017/11/different-types-food-packaging/

Com a intenção de aprimorar características de conservação, auxiliar na redução de perdas e aumentar a segurança dos alimentos, surgiram novas tecnologias aplicadas às embalagens para alimentos, tais como: as embalagens ativas, que interagem com o alimento conferindo aumento de vida útil, qualidade e maior segurança; e as inteligentes, que são aquelas que detectam e fornecem informações aos integrantes da cadeia alimentar sobre o alimento embalado.



Atualmente, a maioria das embalagens para alimentos é produzida por materiais plásticos, devido às suas características de flexibilidade, leveza, baixo custo, variedade entre outras. No entanto, a maioria dos plásticos ou polímeros é de origem petroquímica (fonte não renovável) e o aumento do seu consumo resulta inevitavelmente em problemas socioeconômicos, como a escassez e o aumento do preço do petróleo, e ambientais, como a geração e acúmulo de resíduos sólidos, que podem levar dezenas ou centenas de anos para se decompor na natureza. Em preocupação a essa situação têm-se buscado meios alternativos para reduzir tais impactos, através do desenvolvimento dos biopolímeros, que são polímeros de fontes renováveis, produzidos pela natureza e que podem ser também biodegradáveis.


Benefícios:

  1. Conserva o alimento

Como já foi dito antes, o papel principal da embalagem é preservar o alimento. Uma embalagem bem desenvolvida precisa garantir que microrganismos não causem a deterioração de aves, bovinos, suínos e outras opções alimentícias.

Desse modo, a embalagem deve assegurar a temperatura ideal do item acondicionado, pois esse descuido é um dos principais causadores de contaminação e proliferação de bactérias e outros agentes. Já a proteção externa precisa ser reforçada para impedir danos que levem ao descarte do produto e ao comprometimento do próprio material.

  1. Atrai o consumidor

É por meio da embalagem que o consumidor visualiza o produto, estando ele nas prateleiras, freezers ou em outros estandes de vendas. É neste primeiro contato entre consumidor e empresa que a embalagem deve se apresentar funcional, mas, ao mesmo tempo atrativa.

Assim, o design, as cores, o logotipo da marca e as informações visuais da embalagem são muito importantes. Além disso, o âmbito funcional deve seguir critérios para uma acomodação fácil na prateleira, que cumpra as leis sanitárias e também simplifique o uso pelos consumidores finais.

  1. Agrega valor ao produto

A embalagem do produto é capaz de criar uma relação entre a marca e o consumidor final, que reconhece a mercadoria por sua cor, formato e, claro, suas qualidades. Dessa maneira, o material deve conter informações que gerem identificação e transmitam segurança, agregando valor ao produto. É como se a embalagem fosse uma vitrine permanente da empresa, assim, ela necessita mostrar pontos positivos antes mesmo de o cliente adquirir o produto.

Vale lembrar que muitas embalagens são desenvolvidas com a finalidade de servir para outro uso após o consumo do alimento, por exemplo, potes que após o uso servem como 'vasinhos' de plantas. Esse conceito se chama design inteligente e é um ótimo aliado para reduzir custos, agregar valor ao produto e fidelizar os consumidores.

  1. Fortalece a marca

A embalagem é uma espécie de ícone da organização e traz consigo atributos que os consumidores associam à empresa. Se ela é resistente, por exemplo, potencialmente transmite que a marca tem força, e isso gera confiança para a compra.

Desenhos, artes, mascotes ou cores exclusivas, nas quais, podem ser empregadas na embalagem para alimentos, são estratégias visuais que atraem o cliente. Até porque, os consumidores se lembram com mais facilidade de produtos com características únicas. Essa tática, aumenta o potencial da compra primária, também aumenta as chances de uma nova aquisição após a primeira experiência.

  1. Reduz o desperdício

Uma embalagem bem projetada pode até ter custos elevados em um primeiro momento, mas durante a cadeia produtiva ela protege a empresa de despesas imprevistas.

Durante a estocagem e o transporte de alimentos ocorrem quedas, batidas e outros problemas de manuseio que levam ao descarte e, consequentemente, ao desperdício. Esse prejuízo é de responsabilidade, muitas vezes, da empresa fabricante. Tais problemas causam, no curto, médio e longo prazo, grandes despesas.


Por essa razão a escolha deve ser apropriada para cada tipo de alimento. Pensar nas embalagens como um item que gera benefícios nos custos finais é algo cada vez mais requisitado e valorizado no mercado.

Mas o que tudo isso tem a ver com um engenheiro de alimentos?

O Engenheiro de Alimentos atua em todas as etapas da produção de alimentos industrializados. Desde o pós colheita, ao manejo da matéria-prima, desenvolvimento, análises laboratoriais, transportes e elaboração de embalagens, até a finalização do produto que chega à mesa do consumidor. E tudo isso, priorizando a seguridade e a garantia da qualidade do alimento.




Fonte: https://blogdaengenharia.com/tudo-sobre-a-engenharia-de-alimentos/


O engenheiro de alimentos além de se preocupar com a saúde do consumidor na questão de contaminação alimentar, deve também ter responsabilidade em desenvolver projetos e novos produtos que atendam aos requisitos nutricionais e de saudabilidade; e conservar o meio ambiente por meio de tratamento de resíduos e criação de embalagens para alimentos biodegradáveis


Ele seleciona a matéria-prima, por exemplo, leite, carnes, peixes, legumes e frutas, definindo, a partir daí, a melhor forma de armazenagem, acondicionamento e preservação dos produtos, projetando embalagens adequadas.

Além disso, também é função desse engenheiro ficar ligado nas legislações vigentes a respeito de embalagens e da quantidade de substâncias (nocivas ou não) permitidas em determinado produto, simplificando.




Referências:


Texto escrito por Paula de Pina.




0 visualização